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Dicas

Não entrou na Faculdade? É hora de recomeçar o trabalho

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Não passei no vestibular. E agora? Essa pergunta ressoou na cabeça de

Vinícius de Oliveira Alves, de 18 anos. A mesma sensação tiveram muitos

estudantes reprovados na primeira fase dos mais concorridos

vestibulares do País, como o da Universidade Estadual de Campinas

(Unicamp). Mas Alves deixou a frustração de lado e transformou o

obstáculo em um novo desafio a ser vencido. Matriculou-se em um

cursinho e já está se inteirando dos conteúdos das apostilas. No ano

passado, durante o primeiro semestre, ele contou com a ajuda de um

professor particular e, depois, estudou por conta. “No final, relaxei.

Agora, tenho uma meta.”

O alvo de Alves é o curso de biologia da Unicamp. O vestibular não é

uma tarefa fácil. Neste último processo, 46.118 pessoas se inscreveram

para concorrer às 2.830 vagas oferecidas pela instituição campineira. O

curso de ciências biológicas integral teve 42 candidatos por vaga e, o

noturno, 16. O resultado da primeira fase saiu em dezembro e, no último

dia 23, Alves se inscreveu no cursinho. “Eu decidi pelo cursinho porque

estudar em casa é muito complicado. Eu me distraía muito.” Hoje, traçou

um plano. “Pretendo ir ao cursinho pela manhã e, à tarde, frequentar o

plantão de dúvidas, ficando lá quatro dias por semana em período

integral.”

Por questões financeiras, Alves adiou para o próximo ano

a matrícula em cursos de idioma e de informática. Essas também podem

ser opções de quem não passou no vestibular. Mas ainda existe a chance

de prestar os vestibulares de Inverno. A Universidade São Francisco

(USF) é uma das instituições que irá oferecer o processo, a ser

realizado em quatro etapas sucessivas no mês de junho. O valor da taxa

não foi definido e informações podem ser obtidas no site

www.saofrancisco.edu.br. A Escola Superior de Propaganda e Marketing

(ESPM) também estará, de 12 de maio a 27 de junho, em São Paulo, com

inscrições abertas para o preenchimento de 590 vagas, sendo 250 para

comunicação social, 100 para relações internacionais, 200 para

administração e 40 para design.

A coordenadora do cursinho Oficina do Estudante, Daniela Migliorini,

recomenda que os reprovados na primeira fase devem, em primeiro lugar,

fazer uma auto-avaliação para verificar o porquê da falta de sucesso.

“O ideal é analisar como anda o domínio dos conteúdos exigidos, métodos

utilizados para estudo, desempenho nos simulados e nas redações, dentre

outros”, diz. “Também é importante mensurar como era sua relação de

compromisso, se o seu esforço realmente correspondeu à concorrência do

curso pretendido, incluindo o lado emocional. Após essa auto-análise, é

imprescindível traçar metas para o ano que está começando.”

Para o vestibulando que ainda não conseguiu se decidir por

uma carreira e não se sente emocionalmente pronto para ingressar numa

universidade, Daniela indica o investimento em outras possibilidades.

“Como, por exemplo, fazer um intercâmbio e conhecer outras culturas e

pessoas para que possa amadurecer e fazer sua escolha conscientemente.”

De acordo com o professor Carlos Eduardo Bindi, do Etapa, a dica é

buscar os exames de bolsa de estudos que são realizados em janeiro e

fevereiro, permitindo obter uma boa redução nas mensalidades e até

chegar à isenção total de pagamentos nos chamados cursinhos extensivos,

realizados de março a dezembro. “O preparatório para o vestibular

amadurece, engrandece e agrega mais conteúdos caso ainda esteja

faltando”, afirma a psicóloga Francisca de Melo do Etapa e do Objetivo

Campinas.

A FRASE

“Antes de qualquer coisa, o aluno precisa fazer uma avaliação dos

motivos que fizeram com que não conseguisse a vaga na universidade.

Assim, pode corrigir os erros do ano anterior.”

ROBERTO TORNAI

Coordenador do curso pré-vestibular Objetivo Campinas

Primeiro passo deve ser uma auto-análise

Quem não foi aprovado naquele tão sonhado

vestibular, deve parar um pouco para analisar a situação, saber o que

realmente aconteceu e onde estão as falhas. A dica é da psicóloga

Mariana Schwartzmann, especialista em adolescentes pela Unicamp. “É um

momento que, para alguns, pode ser muito doloroso e isso é preciso ser

respeitado. Não é o momento de procurar culpados. Mesmo porque, isso só

vai trazer mais sofrimento.”

Segundo Mariana, a família deve apoiar o aluno, respeitar seu tempo

para “digerir” o insucesso e aguardar o momento certo para reiniciar o

planejamento conjunto para as próximas provas. Na avaliação da

psicóloga, muitas variáveis interferem no desempenho no vestibular. “A

começar pela escolha do curso e da universidade, passando, é claro,

pelo planejamento e dedicação aos estudos”, afirma.

Para a psicóloga Patrícia Gugliotta Jacobucci, mestre em saúde mental

pela Unicamp, vestibular é uma etapa difícil. “Alguns jovens podem

desencadear sentimentos de ansiedade e medo.” Para aqueles que não

conseguiram ser aprovados, a dica dela é não deixar a frustração tomar

conta. “Os jovens devem se reestruturar e estabelecer novas metas.”

De acordo com Patrícia, é preciso também pensar sobre o curso

escolhido. “Há muitos que apresentam indecisões e acabam fazendo suas

escolhas sem muita responsabilidade. E, quando há uma reprovação, vem

junto a vontade de mudar o curso. Essa mudança pode vir carregada pela

esperança de, quem sabe escolhendo outro curso, conseguirá passar no

próximo vestibular. Isso é um grande engano.”

Patrícia diz que é fundamental rever as opções. “Agora, se você está

certo de sua escolha, lute pelo seu objetivo. Afinal, é o seu futuro

que está em jogo.”

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